Clipping de notícias – Jornal Pioneiro – 1/09/2010 Por Diego Adami
De janeiro a julho, o Ministério Público fez 39 solicitações
Não há quem não se encante com a doçura de Pedro e Mariana (nomes fictícios). Também não há quem não se comova com a história dos gêmeos de um ano e quatro meses. Vítimas da negligência dos pais, de quem sofriam agressões físicas e psicológicas, os pequenos foram retirados de casa há pouco mais de 30 dias, por solicitação do Ministério Público. Hoje, vivem com outras 15 crianças e adolescentes em uma instituição de acolhimentos no bairro Cinquentenário.
Prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a medida foi necessária para evitar que continuassem na rotina de maus tratos em um ambiente rodeado pelo alcoolismo. Enquanto isso, assistentes sociais buscam alternativas para solucionar o problema da família na tentativa de reinseri-los no lar de onde saíram.
Os gêmeos integram a lista de 39 acolhimentos em instituições da cidade solicitados pelo MP de janeiro a julho deste ano. Ao todo, mais de 80 crianças e adolescentes encontram-se distribuídos atualmente nos seis abrigos da cidade. No caso do Caminhos da Esperança, para onde Pedro e Mariana foram encaminhados, são 17, com idades entre quatro meses e 17 anos. Falta de atenção e dependência dos responsáveis em drogas como o crack são os principais motivos que levam ao afastamento da família.
- O acolhimento só é feito em último caso, quando quando não existe nenhuma alternativa para a criança. Primeiro vê-se a possibilidade de afastar o agressor de casa e deixar a criança no lar, o que às vezes não é possível. Enquanto isso (no período em que a criança está na instituição), tentamos inserir a família em um programa de atendimento. Se for alcoolismo, drogadição, por exemplo, buscamos ajuda – afirma a promotora Adriana Karina Diesel Chesani.
Ela explica que o acompanhamento das famílias é realizado da maneira mais rápida possível, na tentativa de não causar mais traumas nos menores.
- O tempo da criança é pequeno. Quando o retorno à família não é mais possível, é pedida a destituição do pátrio poder e o menor fica à disposição para ser adotado – salienta Adriana.
Mesmo assim, não são raras as situações em que a Justiça demora para encontrar uma solução para o problema da família. Nesse intervalo de tempo, avança a idade da criança, o que diminui o número de interessados em adotar.
No Caminhos da Esperança, das 17 crianças e adolescentes abrigados, 11 estão aptos para adoção, mas, segundo a diretora, Miriam Stringari, dificilmente serão adotadas por terem mais de oito anos de idade.
- Deveria ser uma casa só de passagem, mas é um lugar onde acabam ficando. Aqui é a casa deles – lamenta Miriam.

